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sexta-feira, 30 de março de 2007

Linguagem Virtual

A Língua Portuguesa é viva e riquíssima em palavras, das quais muitas sofreram transformações ao longo dos anos. Uma dessas mudanças é governada pelo “princípio da economia”, manifestado nos vocábulos, que consiste em reduzir as palavras a fim de obter uma comunicação mais rápida e dinâmica, desde que haja entendimento. É o caso, por exemplo, da evolução do pronome de tratamento “vossa mercê”, atualmente conhecido como “você”. Essa síntese vem aumentando a cada dia entre os falantes. Entretanto, com o advento da internet e a popularização da comunicação digital, percebemos uma forma de escrita muito estranha e até mesmo contraditória.
Certa vez, entrando no meu orkut para ver meus recados, deparei-me com uma mensagem da minha sobrinha que me espantou, que dizia: “Oi tb? passei aki pra ti dixer q xiamu. bom fds.” Fiquei horas pensando... o que isso quer dizer? Seria uma mensagem secreta? Uma pegadinha? Ou eu teria adquirido um inimigo virtual?... depois de muita reflexão e algumas xícaras de café, meu cérebro conseguiu decifrar a bendita frase. Ela queria dizer simplesmente: “Oi, tudo bem? Passei aqui para te dizer que te amo. Bom fim de semana.”
Não acreditei em tamanha inovação. Confesso que fiquei muito surpresa por não ter conseguido decodificar de imediato uma mensagem tão simples da nossa língua portuguesa. O que me intriga é que, cada vez mais, esse tipo de construção tem entrado na mente das pessoas como se fosse uma abreviação, tornando-se tão natural que acaba fazendo parte da escrita não só da internet, mas também de toda a produção textual.
Não sou contra que sintetizem as palavras, porém o que não entendo é por que escrevê-las errado. O que leva uma pessoa a trocar “Te amo” por “Xiamu”? Que tipo de síntese é essa? Certamente é a semelhança entre os sons, bem como na palavra “tchau”, mas isso não é o bastante para tal substituição.
Enfim não me preocupa o fato de se comunicarem assim, descontraidamente, na internet, mas sim que passem a escrever desta mesma maneira nas provas, redações, trabalhos, etc e recebam a seguinte mensagem do professor: “Naum intendi nada, porissu vc tiro um xeru!”

Vanessa Vieira

quinta-feira, 29 de março de 2007

Acessório ou Essencial?

Desde cedo, aprendi sobre o que é importante para viver e o que é supérfluo. A roupa, por exemplo, é algo que necessitamos, pois ninguém vive nu, principalmente no inverno. Já um perfume não é nenhuma necessidade (embora para os mais vaidosos seja), pois qualquer indivíduo pode perfeitamente sair de casa sem ele que não lhe fará falta.
Sabemos que o desnecessário, usando-o ou não, não fará diferença alguma e o imprescindível não pode faltar. Isso é o que deveria acontecer na nossa língua com os chamados termos acessórios da oração, assim como os termos essenciais.
Está escrito no Dicionário Aurélio que acessório é aquilo que não faz parte, que não é fundamental e essencial, o que é absolutamente necessário, indispensável.
A Gramática Normativa Brasileira diz que, na oração, há termos que são essenciais (sujeito e predicado) e acessórios (adjuntos adnominal e adverbial, aposto e vocativo), porém essa classificação é um tanto contraditória, duvidosa.
Analise comigo o caso do adjunto adnominal. Ele é um termo que vem junto ao nome e pode ser um artigo, um adjetivo ou locução adjetiva, um pronome adjetivo, um numeral ou uma oração adjetiva. Diante desse conceito, observe a seguinte notícia retirada do jornal O Globo: “Meteorologista advertiu que cada década Ártico perde 15% de superfície.” Sem os adjuntos adnominais, a notícia fica muito enxuta, sem detalhes, ou porque não dizer, esdrúxula, mas, com os adjuntos adnominais, o sentido se completa. Veja a diferença: “O meteorologista canadense Michel Béland, um dos grandes especialistas em clima polar, advertiu que a cada década o Ártico perde 15% de sua superfície gelada, fenômeno que está ocorrendo no dobro da velocidade que os cientistas previam.” Neste exemplo, o adjunto parece essencial ou acessório?
E o sujeito? Como pode ser indispensável se nem sempre o encontramos nas orações. Como no exemplo: “Choveu muito ontem.”, temos uma oração sem o termo que se diz essencial (sujeito), mas encontramos um que é acessório (adjunto adverbial).
Não resta dúvida de que algumas classificações da Gramática Tradicional estão um tanto ultrapassadas ou desordenadas e nem sempre essas definições podem ser aceitas sem refleti-las ou discuti-las.
Você, caro leitor, pode até discordar de mim, visto que, o que é essencial para um, pode ser acessório para outro, mas está na hora de repensarmos e até redefinirmos alguns conceitos.

Vanessa Vieira